
A copa do mundo vem ae... (uhuuu...)
Ótimo pra quem acha que o Brasil é o país do futebol. Ótimo, também, pra quem é político e vai ter a atenção dos holofotes desviada para a pelota em campo, em detrimento de suas enfadonhas falcatruas habituais.
Aliás, além do futebol e da corrupção, que são de praxe, existem rótulos a lot que tentam impor ao país. Uns mais engolíveis, outros, menos.
Os rótulos de “país do carnaval” e o de “abençoado por Deus” (não tem vulcão nem tsunami) , ninguém contesta.
O rótulo de “país do futuro” se provou verdadeiro, pois perdura desde os anos 70. (Provando também que “futuro” é uma palavra relativa, ou que o futuro--40 anos depois—tá meio atrasado pra chegar.)
O brasileiro também é uma lenda. Povo alegre, “esperto”... (o “esperto” é pejorativo, mas todos se orgulham dele mesmo assim.)
Do outro lado, os menos otimistas detectam inúmeros impedimentos para o país.
As raízes coloniais, o clima quente, o povo mestiço... hipóteses pseudo-científicas, históricas e climáticas que tentam justificar a “nossa” preguiça e malandragem.
Como se isso fizesse de nós seres ladinos e folgados; inaptos e sem vocação para o capitalismo e para o progresso com base no trabalho honesto.
Tem gente que acha uma coisa. Tem gente que acha outra.
Não acho nem coisa nem outra.
Só que 70% das pessoas de Parelheiros devem pensar que o Brasil é um país de jogadores de futebol e de modelos, porque todos os pivetes só falam isso quando lhes perguntam o que serão quando crescerem. (inclusive os mais pernas-de-pau e as mais roliças.)
Talvez porque pensem que não haja, num país de desigualdades sociais tão abissais, outro modo de ascensão tão vertiginosa quanto ser um Ronalducho ou uma Bündchen da vida.
Há também o Funk, é claro.
Mas não quero falar de indecências, aqui.
Nem mencionar o tráfico de drogas e outras saídas ilícitas muito usadas por quem não é um Ronalducho, nem uma Melancia para driblar o perrengue hereditário.
Tive a sorte de, mesmo passando por alguns apuros, conviver com pessoas de várias raças, classes sociais e partes da cidade.
Gente que batalha duro na vida, gente que sempre teve tudo de mãos beijadas, gente que sofreu e sofre, gente acomodada, gente de futuro, gente desmiolada...
E depois de tanto ver gente, a única coisa que eu sei é que as diferenças culturais são gritantes... mas por dentro, todos somos iguais.
Todos queremos ser burgueses inteligentes, belos e felizes. (ou, não...)
E é por isso que não podemos classificar todos num único rótulo de “o brasileiro”, já que todos somos células de algo maior: o Brasil.
E justamente por sermos células de algo maior é que temos que fazer o possível para que este organismo trabalhe saudável.
Sinto-me impotente quanto ao que eu poderia fazer para revolucionar o país e mudar o que eu acho que está errado.
Mas pretendo fazer meu papel de célula e torcer para que tudo dê certo.
Pelo menos, na Copa do Mundo.